terça-feira, 23 de setembro de 2014

Então a vida!

O brilho do ouro seria de um resplendor latente

não fosse o breu seco que repousa ao seu redor,

porém, um dourado planta do centro, 

quase numa luta tímida de tentar se engrandecer

e tomar o espaço desse negro clandestino. 

Sim, clandestino, pois se encontra em um lugar 

que parece não ser o seu e tenta tomar uma órbita 

que não te pertence.

Por que?

Será talvez você necessário?

Há um propósito para isso?

Será você o reflexo de algo que não queremos ver,

mas sabemos que existe?

Será?





sábado, 13 de setembro de 2014



Como todo nascimento, é preciso que se comece propagando a essência que trazemos a este mundo. Sendo assim, inicio com algo bem inerente à minha alma:


Enegrecida

Primeiro eu surgi no ventre da minha “Oraiêieo

Depois nasci da mulher que fui “Geralda”

Por pouco, sou quase levada pelas águas do mar,

mas tinha que ficar aqui para poder falar...

Eu sou a soma de tudo que vejo, absorvo quase tudo a minha

volta, sou vento, terra, céu e mar...

Sou feita de carne, osso, emoções, razões, sentimentos,

sou humana por dentro e por fora...

Em minhas veias, corre o sangue e junto com ele os anseios de

meus ancestrais e de meus irmãos,

todos filhos da imensa Mãe África...

Estamos sobre o solo o qual durante muito tempo foi derramado

o sangue de nossos irmãos e irmãs...

Trago comigo toda a herança dessa resistência e luta por

 reconhecimento, respeito e igualdade...

E ainda hoje depois de séculos e séculos,

faço parte dessa batalha ...

Temos nossos direitos, nossa identidade, nossa legitimidade, mas

quase sempre isso nos é negado...

 E é por isso que estivemos

presentes aqui durante todo esse tempo

e é por isso que hoje estamos aqui,

para que cada um colha a sementinha que foi plantada nesse

recinto e dissemine pelos quatro cantos de onde passar...

Respeitem minha pessoa,

Respeitem meus cabelos,

Respeitem minha cor,

Respeitem minha crença,

Respeitem minha raça...

Eu, sou Jandiaci Santos Barreto

e v-o-c-ê,

quem é?